Resenha Universitária com Gabriel Servelin

Sim galera do Integraê, nós vamos dar continuidade a nossa série de conversas para saber um pouco mais da visão dos atletas de alto rendimento e suas relações com a vida universitária, sobre suas vidas e como elas podem se parecer com a de um atleticano que dá a vida pelas cores que representa.

Hoje o nosso papo é com o Gabriel Servelin (@gabrielservelin03) de 25 anos de idade, natural de Pérola D’Oeste-PR, é jogador do Pato Basquete que disputa a NBB. Ele que está terminando a graduação de Bacharel em Educação Física, onde iniciou na UTFPR e veio para a Unicesumar para disputa dos Jogos Universitários Brasileiros.

VIDA DE ATLETA

O que o esporte significa para você?

Resposta: “É minha vida. Vivo dele, me sustento por ele, me dedico para ele…. Significa se superar a cada dia, ultrapassar seus limites, aprender a conviver com as dores e lesões, aprender a lidar com pressão o tempo inteiro.”

E quando percebeu que podia alcançar um nível profissional?

Resposta: “Tenho isso em mente desde que comecei a jogar. Sempre acreditei no meu potencial juntamente com a minha dedicação, sabia que poderia alcançar esse sonho.”

Como é/era a sua rotina de treinos e cuidados com a saúde?

Resposta: “É desgastante. Normalmente são dois treinos de quadra por dia (manhã e tarde/noite) mais academia/parte física. De 6 a 7 dias na semana. Os cuidados com a saúde giram em torno de dietas (com nutricionistas), suplementação, boas noites de sono, bastante hidratação…”

Qual é a melhor parte de ser um atleta profissional?

Resposta: “Para mim é viver o sonho, fazer o que ama. Além disso, é gratificante poder estar viajando muito, conhecendo lugares, conhecendo pessoas, tendo carinho da torcida…”

Você já participou de várias competições importantes. Qual é seu truque para “acalmar os nervos” antes de competir? Tem algum ritual?

Resposta: “Isso vai muito de pessoa para pessoa. Eu costumo no meu ritual, orar antes de sair do hotel e no caminho para o ginásio, ouvir músicas/ver vídeos que me motivam.”

Quem são seus ídolos (dentro ou fora do esporte)? Por quê?

Resposta: “Dentro do esporte sempre gostei dos armadores Allen Iverson e Stephen Curry, e me espelhei muito na mentalidade do falecido Kobe Bryant. Fora das quadras, meus ídolos são meus pais e meus irmãos.”

Como você se recupera após uma perda?

Resposta: “Tentando focar no próximo jogo, mas sem deixar de sempre refletir meus erros e o que pode ser melhorado, individualmente e como equipe. ”

Como o esporte faz de você uma pessoa melhor?

Resposta: “De todas as formas. Ensina a lidar com pessoas, me ensina a ser competitivo, a ganhar e também a perder, ensina a ser dedicado, persistente, motivado, esforçado, a ter disciplina. Enfim, são inúmeros pontos que posso citar.”

Como você planeja atingir seus objetivos como atleta?

Resposta: “Com muita dedicação e disciplina. Estar preparado para dar o meu melhor independente do dia/hora.”

Existe algo sobre a vida esportiva em que você odeia?

Resposta: “Odeio a desigualdade existente no esporte. Primeiro, a desigualdade entre homens e mulheres, na qual as mulheres são muito mais desvalorizadas. A segunda é especificamente no Brasil, por ser o “País do futebol” os outros esportes, apesar do crescimento, ainda são muito desvalorizados comparados ao futebol.”

Você acha que a timidez pode ser um fator de barreira no desenvolvimento de atletas? Por que?

Resposta: “Acho que pode sim atrapalhar de alguma forma. Por ser tímido, o atleta pode demorar a se encaixar/entrosar na equipe, bem como mostrar o seu potencial máximo.”

RELAÇÃO COM UNIVERSIDADE

Como você acha que deveria ser a relação Universidade com a formação final do atleta?

Resposta: “Sempre uso de exemplo os Estados Unidos, onde a faculdade e o esporte estão atrelados. Você ganha bolsa para jogar e joga para ganhar bolsa, devendo manter uma boa conduta e boas notas para continuar ganhando. Acho que poderíamos seguir tal exemplo.”

Quais foram e/ou quais são suas maiores dificuldades para se manter treinando?

Resposta: “No Brasil é muito complicado. Normalmente você para de estudar para jogar ou para de jogar para estudar. São poucos que conseguem conciliar os dois. Sempre falta apoio de um dos dois lados. A minha saída está sendo a faculdade a distância, pois não conseguiria manter a presencial, a menos que largasse o esporte.”

Hoje a relação Universidade/Esporte é muito por causa das bolsas oferecidas, como forma de pagamento aos atletas que não chegam ao destaque logo de cara? Isso é benéfico para o esporte e sociedade?

Resposta: “Ainda são poucos os lugares (times ou universidades) que oferecem bolsas. Mas de qualquer forma, não acho que seja somente para atletas que não chegam ao destaque logo de cara. Acho que alguns lugares usam as bolsas como um chamativo a mais, pois ainda tem alguns atletas que se interessam em querer estudar. Isso até tem crescido, pois está aumentando a conscientização de que hoje em dia se precisa de estudo, se não agora, depois da aposentadoria.”

Quem não é atleta de rendimento, hoje consegue se manter minimamente em atividade na universidade através das atléticas, que apesar de ter nome envolvido com festas também, tem foco em levar esporte para mais universitários. Você vê alguma forma de quem viveu do esporte agregar nisso mesmo sem ser competindo?

Resposta: “Com certeza. Seja na organização (pelo conhecimento na área) ou mesmo para dar conselhos, em áreas que necessitam de melhoras, em relação ao jogo (como parte da equipe técnica) …”

Nos esportes americanos, temos competições universitárias como principais reveladores de talentos para os clubes de elite. Essa relação não temos, pois praticamente não temos esporte na universidade a não ser em parcerias com clubes ou prefeituras. Você acha que isso não ocorre por falta de interesse, de incentivo governamental, de incentivo de verba privada com patrocínios, por exemplo? E porque disso.

Resposta: “Eu acho que um pouco de tudo que foi citado, juntamente com o que eu já disse anteriormente. No Brasil não se tem o costume de atrelar o esporte com o estudo, não faz parte da nossa cultura. O que deveria, pois faz uma diferença enorme. E é isso que leva muitas pessoas parar de estudar para jogar ou largar o sonho de ser jogador para estudar.”

Manter o alto nível de rendimento no esportes e boas notas na escola ou faculdade foi uma dificuldade?

Resposta: “Sempre foi. Pois a rotina de viagens e treinos, desde a base, sempre atrapalhou, seja com faltas ou com a perda de conteúdos e provas. E muitas vezes professores não aceitam declarações.”

O que o esporte agregou em você para ser aluno melhor? O que estudar agregou para ser um atleta melhor?

Resposta: “O esporte me ajudou a ser mais disciplinado, a regrar mais meu tempo. O estudo me ajudou na busca por conhecimento, como também na melhora da atenção.”

De efeito imediato, você acha que podem se fechar oportunidades nas universidades através do esporte por causa da pandemia? É possível considerar essa relação?

Resposta: “É possível sim. Pois quanto mais tempo a pandemia se mantém, menos as universidades têm interesse em firmar parcerias, bem como menos investidores querem colocar seu dinheiro no esporte. Primeiro pelo cancelamento da maioria dos campeonatos e segundo pela falta de visibilidade no momento.”

Você vê perspectiva de melhora no esporte brasileiro de forma geral?

Resposta: “Com certeza. É nítido que a pandemia desencadeou um retrocesso de forma geral no esporte, com o cancelamento da maioria dos campeonatos e com a diminuição dos investimentos. Mas vejo sim uma perspectiva de melhora após as coisas se normalizarem.”

O investimento que falta é em quantidade ou em qualidade? Já que em diversos esportes costuma aparecer algum atleta de destaque internacional, mas tirando esportes coletivos a maioria não consegue se manter ou deixar um legado de gerações futuras?

Resposta: “Creio que falta tanto em qualidade, quanto em quantidade. Tirando o futebol, os demais esportes sofrem muito com isso. Falta a quantidade, o que fica nítido quando se vê a quantidade de times que começam e acabam ou somem tão rapidamente. E qualidade, que por não ser um centro nos demais esportes, os que se destacam por aqui saem logo cedo, o que se fosse ao contrário, elevaria o nível aqui. Os esportes individuais ainda mais, sofrem essa desvalorização, por conta disso os atletas não conseguem se manter ou deixar um legado.”

O JUBs, jogos Universitários Brasileiros, hoje é uma grande competição que abrange praticamente todas modalidades. Esse tipo de competição costuma ter bom resultado, porém é competição de tiro curto, geralmente disputada em uma semana. Qual seria o ganho na sua opinião se fosse competição com diversas etapas e com prazo maior durante ano?

Resposta: “O ganho seria gigantesco. Os atletas estariam motivados o ano inteiro para competir e não somente em determinada data. Consequentemente isso também aumentaria a quantidade de treinos e tempo destinado ao esporte.”

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *