Resenha Universitária com a Julia Bergmann

Alô galera do Integraê, seguindo nossa série de entrevistas com atletas sobre o nosso amado mundo universitário e sua relação com os esportes e as atléticas. Assim, hoje nós apresentamos nossa conversa com Julia Isabelle Bergmann, a Ju Bergmann (@juliabergmann6), tem 20 anos e hoje estuda e compete nos Estados Unidos pela Georgia Tech em Atlanta.

Hoje no seu terceiro ano de universidade, a Julia é atleta de voleibol e já conseguiu chegar a competir na seleção brasileira principal no ano de 2019. Nas categorias de base da seleção, ela conquistou os Sul-americanos sub 18 e sub 20, mas saiu do Brasil para os EUA antes mesmo de estrear na Superliga Brasileira adulta.

Instagram da Julia Bergmann

Assim, vamos ver o que a Julia tem a nos dizer sobre como está sendo sua relação com esporte e a vida universitária.

O que o esporte significa para você?

Resposta: “É o que motiva todos os dias, acordo de manhã pensando na próxima coisa que quero conquistar. O esporte também é motivo da minha felicidade diária, eu amo jogar vôlei e sou muito grata por tudo que me proporcionou, amigos e oportunidades únicas.”

E quando percebeu que podia alcançar um nível profissional?

Resposta: “Depois da minha primeira convocação para a seleção paranaense em 2015, e depois com a convocação para a seleção brasileira sub 18 em 2016. Foi a partir daí que decidi que queria jogar vôlei profissional.”

Como é a sua rotina de treinos e cuidados com a saúde?

Resposta: “Treino de manhã das 9 até meio dia e pouco, depois de tarde tenho aula e qualquer tipo de tratamento fisioterapêutico que precisar..”

Qual é a melhor parte de ser uma atleta profissional?

Resposta: “Conhecer muitas pessoas novas e ter a possibilidade do esporte abrir portas para muitas oportunidades.”

Você já participou de várias competições importantes. Qual é seu truque para “acalmar os nervos” antes de competir? Tem algum ritual?

Resposta: “Com certeza escutar música e falar com outras pessoas. Respirar profundamente também me ajuda em situações que estou nervosa.”

Quem são seus ídolos (dentro ou fora do esporte)? Por quê?

Resposta: “Sempre acompanhei o Michael Phelps, porque nadava antes de jogar vôlei. Sempre gostei da determinação dele e de tudo que ele já conquistou.”

Como você torna a prática divertida para seus colegas de equipe?

Resposta: “Gosto de fazer umas palhaçadas durante o treino para me divertir com as minhas colegas de equipe, e eu acho que jogar com diversão é a melhor forma de jogar.”

Como o esporte faz de você uma pessoa melhor?

Resposta: “O esporte me ensinou a conviver com pessoas, eu aprendi como é importante ter pessoas por perto e como eu posso influenciar elas de uma forma positiva.”

Como você planejava atingir seus objetivos como atleta?

Resposta: “Treinando e melhorando sempre, e cuidando do meu corpo e da minha mente.”

Você acha que a timidez pode ser um fator de barreira no desenvolvimento de atletas? Por que?

Resposta: “Pode ser sim, comunicação com os colegas de time e com a comissão técnica é um fator crucial para um atleta.”

Instagram da Julia Bergmann

RELAÇÃO COM UNIVERSIDADE

Como você acha que deveria ser a relação Universidade com a formação final do atleta?

Resposta: “É importante ter gerenciamento de tempo e sempre comunicar para professores sobre datas de viagem e competição o quanto antes.“

Quais são suas maiores dificuldades para se manter treinando?

Resposta: “Estudar durante semanas de prova pode ser bem exaustivo e isso acaba afetando o desempenho em treinamentos também.”

Hoje a relação Universidade/Esporte é muito por causa das bolsas oferecidas, como forma de pagamento aos atletas que não chegam ao destaque logo de cara? Isso é benéfico para esporte e sociedade?

Resposta: “Como treinamos e competimos tanto, acabamos perdendo muitas aulas. Então bolsas de estudos ajudam muito nesse quesito.”

Quem não é atleta de rendimento, hoje consegue se manter minimamente em atividade na universidade através das atléticas, que apesar de ter nome envolvido com festas também, tem foco em levar esporte para mais universitários. Você vê alguma forma de quem viveu do esporte agregar nisso mesmo sem ser competindo?

Resposta: “O esporte pode ser um tempo em que podemos nos divertir junto com os colegas de time, e obviamente ajuda a manter a saúde física e mental.”

Nos esportes americanos, temos competições universitárias como principais reveladores de talentos para os clubes de elite. Essa relação não temos, pois praticamente não temos esporte na universidade a não ser em parcerias com clubes ou prefeituras. Você acha que isso não ocorre por falta de interesse, de incentivo governamental, de incentivo de verba privada com patrocínios, por exemplo? E porque disso.

Resposta: “O sistema americano é montado de forma que as universidades oferecem bolsas de estudos para talentos esportivos. Isso abre muitas portas para os jovens, já que é a principal iniciação antes de um clube profissional. Acho que como não há a tradição de ter um incentivo em esportes universitários no Brasil, não se torna atrativo ao atleta profissional. Mas com certeza estamos vendo uma evolução no Brasil, cada vez mais clubes estão oferecendo bolsas de estudos em faculdades a distância.”

Manter o alto nível de rendimento nos esportes e boas notas na escola ou faculdade é uma dificuldade?

Resposta: “Com certeza, como já falei, sem um bom gerenciamento de tempo não tem como ir bem dentro na sala de aula e nas quadras. É importante também reconhecer que precisamos de ajuda, como tutores por exemplo, o que pode ser difícil muitas vezes.”

O que o esporte agregou em você para ser aluna melhor? O que estudar agregou para ser uma atleta melhor?

Resposta: “Achar soluções para problemas, acho que foi uma coisa que os estudos agregaram na minha vida. E uma coisa que o esporte agregou na minha vida de estudante foi gerenciamento de tempo e determinação.”

De efeito imediato, você acha que podem se fechar oportunidades nas universidades através do esporte por causa da pandemia? É possível considerar essa relação?

Resposta: “É muito difícil manter a mesma motivação durante aulas online, e tão fácil simplesmente deixar as coisas para depois. Isso quando tem aulas online, já que muitas universidades cancelaram os semestres por conta da pandemia.”

Você vê perspectiva de melhora no esporte brasileiro de forma geral?

Resposta: “Com certeza, acho que já houve uma melhora significativa nos últimos anos e os estudos estão se tornando cada vez mais importantes para atletas também.”

O investimento que falta é em quantidade ou em qualidade? Já que em diversos esportes costuma aparecer algum atleta de destaque internacional, mas tirando esportes coletivos a maioria não consegue se manter ou deixar um legado de gerações futuras?

Resposta: “Uma coisa que penso que pode melhorar é a distribuição igualitária de recursos entre homens e mulheres, vejo que há uma enorme diferença entre salários de atletas homens e mulheres.”

O JUBs, jogos Universitários Brasileiros, hoje é uma grande competição que abrange praticamente todas modalidades. Esse tipo de competição costuma ter bom resultado, porém é uma competição de tiro curto, geralmente disputada em uma semana. Qual seria o ganho na sua opinião se fosse competição com diversas etapas e com prazo maior durante ano?

Resposta: “Poderiam ocorrer mais fases desses jogos, se baseando nas semanas de provas dos alunos, acho que poderiam usar os finais de semana para os jogos, já que os alunos não perderiam aulas durante esse tempo.”

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