Como é ser LGBTQ+ na faculdade?

A experiência LGBT+ no ambiente universitário – o papel das entidades na criação de um ambiente seguro e diverso

O ingresso na Universidade, na maioria dos casos, coincide com a fase de amadurecimento e descoberta pessoal dos estudantes. Por isso, como tratado diversas vezes pelo integraê, as entidades universitárias, como as Atléticas e Centros Acadêmicos, devem sempre trabalhar para oferecer um ambiente acolhedor e livre de quaisquer discriminações.

Todas as ações das entidades devem ser pautadas pelo acolhimento dos estudantes, bem como a representação de toda a diversidade existente no meio universitário. Tal ponto deve se apresentar como uma preocupação das diretorias, que devem buscar superar as ações virtuais e exercer uma diferença no mundo real.

Ora, sabemos que é essencial que uma entidade se posicione e sempre deixe claro que não aceita discriminações. Mas as ações de conscientização devem ser condizentes com as ações realizadas pela entidade.

Atlética Manas do Vale

Deste modo, os diretores devem ter consciência de sua responsabilidade, planejando ações efetivas para a promoção da diversidade no meio acadêmico. Temos diversos exemplos de ações bem-sucedidas, como grupos de apoio, que se fazem presentes nos eventos organizados pelas entidades, garantindo o atendimento de pessoas que tenham sofrido discriminação, bem como diversas ações organizadas durante Jogos Universitários, com a conscientização previa de todos os membros da delegação, com a efetiva implantação de uma postura contra discriminação, punindo e expulsando pessoas que pratiquem atos preconceituosos.

Temos plena consciência da dificuldade e, principalmente, seriedade, que é trabalhar esse tema no meio universitário. Apesar de plural, tal meio também sofre com o preconceito que está enraizado em nossa sociedade. Portanto, as ações das entidades devem ser sérias, buscando a garantia da segurança e bem-estar de todos os alunos que as mesmas representam.

Para acrescentar em nosso debate, entrevistamos Arthur Afonso, estudante do Direito-UFV, Diretor de Cheerleading da Atlética e responsável pelo projeto de conscientização LGBT+ da Capivara!

Arthur Afonso – Entrevistado

“Importante começar esse depoimento dizendo que, assim como todas as vivencias lgbts, a minha também tem seus recortes particulares. Eu sou um homem cis, gay e branco que cresceu no interior do Nordeste, numa cidadezinha bastante conservadora que não me deu abertura e nem liberdade para desenvolver minha sexualidade.

Quando cursei pré-vestibular tive a possibilidade de ir para Brasília, foi quando comecei a vivenciar minhas primeiras relações homoafetivas, porém com bastante medo por conta da minha criação que ainda ecoava forte em mim. Em 2018, consegui entrar no curso de Direito da Universidade Federal de Viçosa e ai que as coisas realmente se desenrolaram na minha vida. Tive o privilégio de entrar num novo ambiente que me deu suporte e novas possibilidades para me conhecer melhor e vivenciar minha sexualidade de forma plena.

A UFV sempre foi um ambiente acolhedor, seja por conta das pessoas, do curso, das relações com meus veteranos ou da própria Viçosa, enfim, foi nesse lugar que eu desenvolvi um passo a mais na minha vida adulta e também com ela as minhas relações afetivas. Além de romances, foi aqui que continuei desenvolvendo meu senso crítico acerca das relações sociais, sendo elas LGBTQ+ ou de outros recortes. Entre grandes amores e decepções, curtição e bons relacionamentos, Viçosa com certeza foi um marco na minha vivencia como homem gay e sou muito grato a ela e a todos os envolvidos por isso. ”

Além de um grande amigo, a conversa com o Arthur reforçou ainda mais um ponto apresentado neste debate: o ambiente deve ser sempre acolhedor – e isso significa um impacto direto na qualidade de vida. Portanto, a todos os diretores e responsáveis por entidades universitárias: saibam que a luta vale a pena!

 

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