Há quase seis anos, no meu primeiro ano de faculdade, tive a oportunidade (e honra) de participar da criação da entidade que, incontestavelmente, deu outro sentido à minha graduação. Em 03 de outubro de 2012 fundávamos, oficialmente, a Atlética das Engenharias da Universidade Federal de Viçosa. Hoje, seis Engenharíadas Mineiro depois, nos consagramos pela segunda vez consecutiva a melhor atlética de Engenharia de Minas Gerais.

A trajetória é longa e não foi, nem de longe, fácil. Na época da fundação, a cultura de atlética era algo completamente novo na região e ganhar adeptos, além de credibilidade, exigia muito trabalho, mas não podíamos desanimar. Mesmo com uma delegação menor do que a mínima exigida pela competição, voltamos, em 2013, do primeiro Engenhariadas Mineiro, trazendo pra casa o troféu de terceiro lugar geral.

E se sonho podia ser realidade, esse resultado trouxe ainda mais força. A gente passou a acreditar ainda mais que era possível ser campeão geral. Um ano depois, batemos na trave e fomos vice campeões, deixando em Barbacena o gostinho de que estávamos chegando muito perto.

2015 então chegou, com a promessa de ser O ANO. Porém, por conta de uma competição da UFV que aconteceu na mesma data, levamos vários times desfalcados e fomos eliminados de todos os coletivos no primeiro dia, resultado que nos deixou em quinto lugar geral na competição.

Particularmente, acredito que embora o desempenho abaixo do esperado tenha sido doído, por outro lado foi o divisor de águas que a atlética precisava. Acabávamos de nos recuperar de uma crise financeira, o que permitia investir mais em qualidade técnica e a vontade de crescer era nítida em cada time.

2016, Ipatinga. Sangue no olho. Campeões da primeira competição de cheerleading do campeonato. Campeões do basquete feminino, da natação masculina. E no pódio, retomamos o segundo lugar geral.

A crença de que era possível foi retomada. Nossos times, embora bastante diferentes em relação a 2015, ainda precisavam de mais. A atlética havia chegado a um novo patamar de alcance e de credibilidade. Foi então que uma revolução esportiva interna proporcionou mais meses de treinos intensos, quase diários, e passou a exigir (mesmo) atletas mais comprometidos e dedicados.

Foi assim que, em 2017, o título de campeão geral aconteceu. Consagrado literalmente aos 45 minutos do segundo tempo. Ali vi transbordar um sentimento tão único que era difícil acreditar que era real. Às vezes me pegava pensando em quantos momentos impossíveis tivemos que suportar, quantas vezes fomos desacreditados e questionados até que o dia de levantar o tão sonhado troféu chegou.

E um ano depois, chegou de novo, pra provar que, depois de tanto trabalho, o merecimento de ocupar o alto do pódio era incontestável.

Para mim, poder ter feito parte dessa historia sempre foi motivo de orgulho e aprendizado constante. E, depois disso tudo, se eu pudesse dar um conselho pra qualquer atlética, é pra nunca deixar de trabalhar pelo seu sonho. Foram incontáveis noites perdidas de sono durante anos, esperança por com resultados certeiros que não vieram, erros de arbitragem que custaram títulos, treinos sábados à noite e domingos pela manhã, dívidas acumuladas, patrocínios negados, inexistência de locais para treinos….

Principalmente, foi muita gente acreditando que era impossível que uma atlética de menos de cinco anos, do interior de Minas Gerais, conquistasse uma estrela. Ou que esse resultado fosse sorte. Mas pra cada uma dessas pessoas, sempre existiu o dobro de apaixonados pela causa, trabalhando dia e noite pra esse sonho se concretizar.

E o resultado se tarda, mas não falha. Mais do que nunca, temos orgulho em dizer que somos UFV, melhor de Minas sem querer por merecer.

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