Os meses foram ganhando cores, cores essas para lembrar de campanhas da saúde. O objetivo é propagar informação e lembrar das prevenções sobre algumas doenças. Setembro chegou e com ele as redes sociais lotam de campanhas do setembro amarelo. Mas o que é esse tal? Qual a sua importância?

Setembro Amarelo é o mês de prevenção ao suicídio. A campanha começou em 2015, como iniciativa do Centro de Valorização da Vida, Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria. Segundo dados do CVV, em média 32 pessoas cometem suicídio por dia no Brasil e 9 em cada dez casos poderiam ser evitadas.

Ok, mas por que o Integraê tá falando disso? Isso aqui não era um portal sobre assuntos universitários e sobre atléticas? E, Lu, por que você está tão séria?

Vamos por partes: (Para variar procurei no Google) e a segunda matéria que apareceu foi “USP tem 4 suicídios em 2 meses”. Havia poucos meses eu estava na faculdade quando uma menina se jogou do 12º andar da UERJ, universidade que já é conhecida no Rio de Janeiro por casos como esse. Muito disso acontece por causa das pressões e rendimentos não esperados no meio acadêmico. Opa, então já descobrimos o porquê de o Integraê estar falando desse assunto.

Ao longo dos anos, percebi que muitos não entendiam a depressão, ou o que é de fato a ansiedade. Você já ouviu falar em Borderline? Existem várias doenças psiquiátricas e pouco se entende ou se fala sobre isso. Existe muito preconceito e pouco caso quando alguém não está bem. E por isso eu estou falando mais formal do que de costume. As vezes a pessoa está no fundo do poço e é imperceptível. Ela é a pessoa mais forte e organizada que você já viu. No entanto por dentro o caos e a insegurança a dominam. Quando a pessoa está assim, ela em muitos casos não consegue pedir ajuda.

Agora vamos falar das campanhas. Em sua maioria lemos: “Eu estou aqui”, “Se estiver precisando de ajuda, pode me procurar”, “Você não está sozinho”. – Mas Lu, você não disse que o cara não consegue pedir ajuda? – Aí que está o ponto em que eu queria chegar. Será que ao seu redor alguém sumiu, ficou mais quieto que o de costume ou só fala sobre assuntos mais sérios que o normal, as vezes assuntos específicos (só os mesmos assuntos)? Isso acontece porque ela não sabe como pedir ajuda. Ou só se sente invisível. Ela some porque quer que alguém lembre dela.

Durante as férias fui trabalhar em Brasília. Junto comigo estavam mais dois meninos. E como a gente dormia e acordava junto, eles sempre me viam tomando remédios. Um deles faz medicina e um dia (meio bêbado) ele me perguntou porque eu tomava aquilo e o que era. Disse que tinha Border (para quem não conhece vou tentar explicar rapidinho: “a Síndrome de Borderline, também chamada de transtorno de personalidade limítrofe, é caracterizada pelas mudanças súbitas de humor, medo de ser abandonado pelos amigos e comportamentos impulsivos. As pessoas com Síndrome de Borderline têm momentos em que estão estáveis, que alternam com surtos psicóticos, manifestando comportamentos descontrolados”.)

Ele tomou um susto. Me conhece há mais de dois anos e nunca tinha percebido. Várias pessoas que eu conheço falam que eu sou uma fortaleza, muitas vezes me têm como exemplo. Mas, no fundo, só eu sei a luta que é para sair da cama. Na atlética eu sou conhecida como a pessoa mais organizada do mundo. Sempre tenho tudo anotado e em dia. Só que na minha casa (lugar que eu não escondo minhas inseguranças) eu sou o caos em pessoa. Não preciso nem falar como é minha cabeça.

Muitos amigos, amigos de verdade, passaram pela minha vida. E eu, com medo de que eles se afastassem, sumi. Alguns até hoje me mandam mensagens, dizem que estão com saudade. Raramente eu respondo. Tremedeiras e choros são constantes. E todo dia eu repito para mim mesma que eu sou muito forte, a mais forte do mundo. Nos dias mais difíceis eu falo isso só por ter conseguido sair do quarto escuro e por ter ido ao banheiro. Tomo remédios há quatro anos e já ouvi várias vezes que eles fazem mal. Só que nunca vi ninguém falando para alguém que está com gripe para elas não tomarem remédio. Porque com a minha doença é diferente? Não é. E é por isso eu estou aqui falando sobre isso.

Hoje eu tenho muito orgulho de quem eu sou. E da minha luta. Eu sou Luciana, tenho borderline e luto há quatro anos. Já caí, mas me levanto todos os dias.

Em apoio ao Setembro Amarelo, vários monumentos do nosso país são iluminados de amarelo todos os anos. Foto: Centro de Valorização da Vida

Voltando. Lembra o que eu falei da pessoa que mudou de comportamento? Vamos fazer um combinado? Procura ela. Pode ser que ela só precise ser vista. Ela só precisa de um abraço sincero. Uma conversa. Vamos aproveitar esse mês para refletir sobre. Ser mais próximo. Toda ajuda é bem-vinda. Mesmo que a gente diga que não é (e as vezes a gente é bem duro só para afastar quem está oferecendo a mão).

Ei, você que está mal e clicou no texto para ver se te ajudava, eu estou agora falando só com você. Não te esqueci não. Não sei seu nome, mas com certeza, (mesmo que não sinta isso) você não está sozinho! Você não é anormal. Pode ser que pedir ajuda ainda seja difícil. Eu ainda não consigo fazer isso por exemplo. No mundo tem alguém que pode te ajudar (mesmo que você não saiba quem). Comigo foi um coordenador do colégio, uma pessoa que nunca foi próxima a mim e que hoje eu nem tenho mais contato. E o mais importante. VOCÊ É A PESSOA MAIS FORTE DO MUNDO (pelo menos do seu mundo). VOCÊ É MARAVILHOSA!

Procure ser Pollyana todo dia. E para quem não conhece esse livro (Pollyana, Eleanor H. Porter), recomendo. Ele ensina o jogo do contente. Se quiser pode até me procurar nas redes sociais, conto como quem não quer nada como eu me sinto e vai que isso te ajude a se encontrar também.

Bom, “por hoje é tudo pessoal”!  

Até mês que vem.

“O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias”. Para ajuda disque 188.

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