Foto: JUCS

JUCS 2016

Pensa numa caloura emocionada, vivendo o primeiro jogos? Pensou? Ok, agora multiplica isso por três. Essa era eu. Não a faltava jogo algum, era a mais animada da torcida, fiquei bêbada em todas as festas, não sabia o que era dormir. Para coroar isso tudo, como atleta fui campeã do vôlei (jogando de titular) e minha atlética levantou o caneco de campeão geral. Tinha como ser melhor? Impossível, né?

Foto: JUCS

JUCS 2017

Foto: JUCS

Assim como no ano anterior, minha emoção continuava a mesma. A diferença foi que além do vôlei, eu tinha me metido no basquete (que meu pai acabou me ensinando) e no handebol. Com tanto esporte, animação, festa, loucura… eu caí e tive uma lesão séria, que depois disso me afastou das quadras por um ano. Um JUCS tão intenso que depois dele tomei a decisão de entrar na atlética. Sim, eu estava pronta para colocar a mão na massa e surtar como atlética.

Já posso adiantar que foi a melhor decisão que eu tomei.

JUCS 2018

Para muitos, a competição aconteceu nos dias 31 de maio, 01, 02 e 03 de junho. Mas para mim, esse JUCS começou em fevereiro, com as negociações, contas, planilhas e tudo o que você imaginar de preparação. Bati muita cabeça, tiveram momentos que eu queria surtar. Só que alguns amigos foram me ajudando. O MELHOR JUCS da minha vida. Com tanto trabalho da atlética, voltando de lesão (sim, fiquei um ano parada), resolvi não jogar handebol; não ia me comprometer com o time.

Levei minha irmã para conhecer o que eu mais a amava e ela falou assim: “como você gosta disso? Você está sempre correndo com um rádio na orelha, celular na mão, pasta em baixo do braço. Só para para jogar, não vai pra festa…”, enquanto ela falava, eu só ouvia “blá blá blá … é perfeito”.

Para ser melhor, só se levantássemos o caneco. E como eu já disse antes: O MELHOR JUCS DA MINHA VIDA! E eu tive o prazer, a honra e a alegria de levantar a taça. A Atlética de Artes e Comunicação Social da PUC RIO foi campeã geral. Eu lembro de uma puxada do cabo de guerra (não se assustem, aqui tem cabo de guerra nos jogos) que durou um minuto e meio, eu lembro de cair chorando na grama e falar que não tinha mais como a gente perder.

Depois de tanta emoção, acalmar e tal. Percebi que precisava de alguém comigo. Eu não iria dar conta de mais um JUCS cuidando de todo o financeiro sozinha. Era loucura! Algum momento eu precisava sair da atlética. Quem entraria no meu lugar?

JUCS 2019

Tanto como atlética, quanto como atleta, para mim o JUCS 2019 começou em janeiro. Sim, bem cedo. Mas eu precisava ensinar alguém a fazer tudo o que eu sofri para aprender. E como atleta eu precisava perder peso, ganhar resistência para voltar a jogar. Foram meses de muito trabalho na academia, 19 quilos jogados fora e consegui jogar uma partida toda sem cansar. Como atlética, eu já estava treinando uma rainha, nós já estávamos fazendo tudo perfeito. As vendas de pacote foram muito maiores do que a gente esperava. Tudo perfeito!

Dia 17 de maio de 2019: Depois de várias idas ao meu ortopedista, escuto ele falar: “Lu, o que você tem é bem pior do que imaginávamos. Você não vai poder jogar o JUCS”. Sim, meu ortopedista já sabia do JUCS, já sabia da importância (qualquer pessoa que converse comigo por 20 minutos sabe que eu amo o JUCS).

Meu mundo caiu. Perdi a vontade de fazer as coisas, cogitei até não ir para os jogos. Seria muita tortura não poder jogar. Mas eu tinha outro compromisso, eu precisava pagar o jogos, eu precisava ensinar pra Carina. Eu não podia surtar. Eu já estava decidida de que iria sair. E foi um ano trabalhando essa ideia. Mas a minha despedida precisava ser perfeita!

Tive todo o suporte com meus times, na atlética e fui fluindo. O JUCS chegou e com ele a maior delegação que a minha atlética já tinha conseguido. Primeiro jogo: Handebol feminino, foi o jogo mais difícil da minha vida. Eu não estava em quadra. Não conseguia ver o jogo. Só chorava. Saí do ginásio e ouvia os gritos da torcida. Meu time perdeu.

Os jogos continuaram. JUCS que é JUCS teve integração, p*taria, festa, treta e o que eu mais gosto, os gritos de “na PUC só tem c*zão”.

Último dia de jogos: PUC Rio (minha atlética amada) estava em SETE de nove finais coletivas. Por onde eu passava, meus amigos falavam: “vocês já ganharam”, “não sei porque você ainda fica nervosa, já é campeã geral”. Confesso que eu acreditei nisso também. Até comemorei, esqueci de fazer as contas.

Foto: JUCS

Chegamos no cabo de guerra, não, os jogos não estavam ganhos. A ESPM ainda tinha uma chance. Eles correram atrás. E uma puxada separou a gente de mais um geral. A última final, a final do cabo de guerra masculino definiu o campeão do JUCS de 2019. ESPM ganhou!

Eu queria uma despedida perfeita. Eu queria jogar tudo, ganhar pelo menos duas medalhas, o geral… A gente é muito exigente, né? E no mesmo gramado que no ano anterior eu cai de alegria, esse ano eu caia em lágrimas de tristeza. Tinha que ser perfeito e não deu nada certo. Saí daquele campo, falando para mim e para quem mais quisesse ouvir que não ia sair da atlética.

~ Mas pera, o título do texto era “A difícil decisão de dizer tchau” e depois de um texto gigantesco você está me dizendo que não vai mais sair? Achei que você fosse me encorajar a fazer o que eu também preciso…~

Foto: JUCS

Calma, não briga comigo. E se você chegou até aqui, termina de ler.

Demorou para eu vir falar sobre o JUCS, demorou para eu contar como foi o evento. Até perdi o momento da postagem sobre o campeonato. Só que nesse tempo que eu sumi, fiquei pensando sobre como ia ser minha vida e como decidi qual seria o meu destino na atlética.

Vou colocar aqui algumas perguntas que eu me fiz e me ajudaram a decidir. E se responda. Seja sincero com você. Responder isso, depois de acalmar os sentimentos, me ajudou a tomar a decisão de sair.

– Por que você entrou na atlética?

– Você conseguiu fazer o que você queria quando entrou na atlética?

– O que você aprendeu dentro da sua atlética?

– Você sente que falta aprender alguma coisa ainda nesse meio de atlética?

– Se sim, o que falta e em quanto tempo você acha que vai conseguir isso?

– Acha que ensinou alguma coisa para pelo menos uma pessoa ali dentro? (Mesmo que essa pessoa tenha sido você)

– Eu ainda ajudo na atlética ou sou apenas mais uma pessoa lá?

– Hoje a atlética te faz mais feliz ou te dá mais trabalho?

– Ficando na atlética, o que você pretende fazer nela? A mesma coisa ou vai sair do mecânico?

– Saindo da atlética, e agora o que você vai fazer com você mesmo? O que vai fazer da sua vida?

Respondeu todas dessas perguntas? E aí, para você, é seu momento de sair ou ainda tem muito para dar?

De fato, a atlética ocupa muito tempo de nós, atleticanos. A gente gosta de fazer isso. Sei que sem a atlética, sem esse trabalho louco, provavelmente eu não teria ido tão longe na faculdade. Ela pode ter atrapalhado em alguns momentos, mas ajudou bem mais.

Quando eu caí no chão em 2017, por causa da minha lesão, vi a preocupação das pessoas ao meu redor. Em 2018 quando eu caí no chão, conseguia ver os agradecimentos das pessoas pelo meu trabalho, noites mal dormidas, ligações em euro (valeu puquiana, patricinha) …. Este ano, quando eu caí no chão e ao ver que tinham perdido o geral, eu vi pessoas de outras atléticas agradecendo pelo esforço, agradecendo a amizade que a gente criou, apenas estando lá, ao meu lado e ao lado de uma equipe maravilhosa.

Foto: JUCS

Sim, é meu momento de dizer adeus aos trabalhos da Diretoria Financeira da Atlética de Artes de Comunicação Social da PUC Rio. É meu momento de dizer obrigado por cada coisa que eu passei com ela. Ainda vou voltar a jogar! Mas a gente precisa aprender a dizer adeus a coisas que nos fizeram tão bem. Sem essa atlética, eu nunca conheceria o maior portal sobre vida universitária do país, muito menos estaria aqui escrevendo essa carta de despedida.

Aos que chegaram aqui e decidiram que era o momento de dizer tchau:

Está tudo bem. Essa nova etapa da sua vida vai ser repleta de surpresas e vai ser muito gratificante ver as coisas acontecendo mesmo depois que você se afastou. Vai ser como ver um filho começando a andar sozinho, ou (se a atlética for mais velha) é como se ele saísse de casa e fosse alcançar novas etapas. Vocês fizeram grandes amigos na atlética e isso não vai se perder. Vocês podem até dar uma dicazinha para aquela pessoa que você sabe que precisa dentro da atlética (mas deixa ela fazer sozinha! Ela é capaz).

A quem chegou aqui e vai continuar:

Aproveite! Não dura para sempre. Divirta-se, trabalhe, conheça pessoas. Quem está indo embora, não está te abandonando. Está saindo porque confia em você. Você vai mandar muito. Fica tranquilo.

A minha atlética:

Eu estou saindo, só que eu nunca vou abandonar vocês! Aqui eu ganhei grandes amigos. Aproveitem cada momento. Thiago, eu tenho orgulho de ver você nessa sua presidência, sei que a atlética só tem a crescer. Nathalia, esse ano o geral escapou por pouco, mas com nossos times e com seu esforço, sei que ano que vem o caneco volta pra Gávea. Fernanda, já se prepara porque ano que vem as encomendas sobem para 600.

Carina, eu tô chorando escrevendo para você. Porque eu tenho muito orgulho de tudo o que vivemos juntas. Minha diretora financeira, sei que posso fechar meus olhos e dormir depois de dois anos. Com a certeza de que você será ainda melhor que eu. Você só precisa acreditar. Eu te amo, minha diretora, amiga, conselheira.

Foto: JUCS

Aqui eu termino minha caminhada dentro da atlética (eu acho). Já já eu volto para as quadras. E estou mais firme e forte que nunca aqui no Portal. Desculpem pelo textão. Foi um desabafo. E se você está lendo isso tudo, eu te pergunto: está na hora de você entrar, ficar ou sair da sua atlética?

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