O início de uma nova gestão das Atléticas Universitárias é sempre marcado por muitos desafios. Um dos primeiros a serem enfrentados, normalmente, é a renovação das equipes: quais atletas continuarão treinando? Como fazer um bom recrutamento de calouros? Como manter o ritmo dos treinos e ao mesmo tempo integrar novos atletas? E por aí vai, mas disso já falamos anteriormente.

Superada a troca de gestão e a renovação dos times com a chegada dos calouros no início do ano, certamente, todo coordenador esportivo irá se deparar com a seguinte questão: devo trocar o treinador de alguma modalidade?

Contudo, antes de respondermos a esse questionamento, é melhor voltarmos ao início, quando a AA sequer tinha algum treinador contratado.

  • O treinador faz-tudo:

Toda Atlética teve, tem ou terá aquele técnico-atleta-aluno-torcedor que acompanha e comanda as equipes dentro e fora de quadra sem receber um tostão, não é mesmo? Em alguns casos, esse treinador é o capitão do time, em outros, um aluno que tem familiaridade com o esporte e, ainda, pode ser um torcedor que sempre acompanhou a equipe e em cuja voz os atletas confiam.

Todos nós amamos o treinador faz-tudo, afinal, é nosso parceiro de faculdade e se dedica tanto ao time quanto os membros da Atlética. Todavia, um passo importantíssimo e necessário para a evolução das equipes é dar um descanso para esse herói e contratar um técnico profissional!

  • A contratação:

A contratação de um treinador é um momento chave na evolução técnica de uma equipe, demonstrando seriedade e comprometimento tanto dos membros da AA, quanto dos atletas. Um técnico sempre trará um olhar de fora de quadra/campo diferenciado e experiente, dando apoio psicológico essencial aos atletas durante uma competição.

Mas quem já contratou um treinador para sua Atlética sabe que a tarefa não é nem um pouco fácil: o “salário” geralmente é baixo, as equipes são exigentes, as condições para a prática esportiva não são as melhores e o horário de treinamento em alguns casos é péssimo. De fato, são poucos os treinadores que se dispõe a trabalhar de madrugada e nos finais de semana, mas a dificuldade para encontrar alguém apto a comandar uma equipe universitária vale a pena em vista da conquista de um pódio. Uma boa dica é consultar os atletas da sua AA e estudantes ou profissionais da Educação Física, pois sempre poderão te indicar alguém.

Encontrado um técnico disposto a encarar o desafio (e que desafio!) de treinar universitários que nas horas livres são atletas amadores, o próximo passo é fazer um treino-teste (ou alguns treinos-teste!). Vale ressaltar que não faz sentido algum contratar alguém simplesmente por contratar. Além de ser necessário analisar a capacidade do treinador para gerenciar uma equipe amadora, o time também deve se adaptar ao técnico e vice-versa. Como na maior parte dos casos o vínculo entre AA e treinador é frágil, basta que este pare de ir aos treinos para que a relação se encerre e isso não é nem um pouco interessante, ainda mais próximo a uma competição importante.

Por fim, caso a equipe goste do treinador e esse daquela, o passo seguinte é partir para a contratação. Contudo, lembre-se de verificar a disponibilidade do técnico para comparecer às competições e fique sempre atento à regularidade dos pagamentos, bem como ao andamento dos treinos – o bom relacionamento entre equipe e treinador deve ser constante!

  • A renovação:

Chegado o início de uma nova gestão, talvez seja o momento de renovar sua “equipe técnica”. Contudo, sua AA deve sempre fazer uma boa avaliação dos prós e contras dessa substituição e, principalmente, dos motivos que levaram à necessidade de uma renovação – lembre-se que “em time que está ganhando não se mexe”, assim, não deixe de verificar se o problema enfrentado não poderia ser contornado.

Em primeiro lugar, você deve pedir a opinião dos atletas quanto à necessidade de uma nova contratação – já que serão os mais afetados pela mudança – e o que esperam de um novo técnico: maior disponibilidade, organização, pontualidade, energia, tranquilidade etc. Tais aspectos poderão ser avaliados em um treino-teste e, assim, você não trocará 6 por meia dúzia.

Em segundo lugar, verifique sempre a disponibilidade de caixa da sua Atlética, pois talvez não seja possível encontrar um treinador que aceite o trabalho pelo valor que o antigo técnico recebia. Caso sua equipe fique muito tempo sem treinador, a tendência é que regrida e sua Atlética pode até acabar perdendo alguns atletas.

Por último, mas não menos importante, surgirá a dificuldade da contratação. Então antes de demitir um treinador, lembre-se sempre do trabalho que teve ao contratá-lo!

Superadas as barreiras expostas, vale lembrar que, na medida do possível, deve-se tentar manter uma boa relação com o treinador a ser demitido, em especial se a renovação partiu do próprio time. Não é incomum que surja a necessidade de recontratar um treinador certo tempo após sua demissão, em razão das constantes entradas e saídas de atletas que sempre trazem uma forma de trabalhar diferente. Além disso, a dificuldade de contratação de treinadores pode ser causada pela troca das experiências de treinadores antigos da sua AA com aqueles que você está tentando contratar – no ramo, muitos técnicos se conhecem!

Para concluir, esteja sempre atento ao fato do treinador estar ou não satisfeito com o trabalho, assim como a equipe com o trabalho desempenhado por ele: os melhores resultados vêm sempre de equipes coesas e unidas!

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