A expansão do movimento de Atléticas para fora do pólo das capitais dos Estados demonstra que o trabalho de fomento ao esporte universitário está sendo bem exercido e reconhecido. Entretanto, fazer parte de uma Atlética nas cidades do interior se mostra um desafio enorme, seja pela ausência da cultura atleticana, seja pelas condições de estrutura.

Primeiramente, a cultura de Atléticas nas cidades do interior, é extremamente recente, com a grande maioria das AAs de fora da capital possuindo em média de 5 a 7 anos. Esse caráter recente nos revela um primeiro desafio: o respeito.

Sabemos que as Atléticas são, inúmeras vezes, desrespeitadas e deslegitimadas no ambiente universitário – seja pela instituição ou pelos próprios alunos. Portanto, demonstrar os objetivos reais de uma AA em um ambiente novo e desconhecido, torna-se um desafio para os dirigentes. Tal desconfiança e medo de toda aquela organização objetivar apenas “festa e bagunça”, atrapalha e muito as ações iniciais de uma diretoria, como conseguir apoio financeiro e estrutural da Universidade e, principalmente, adesão dos alunos. É um mundo novo, desconhecido e cheio de dúvidas, cabendo aos dirigentes a tarefa de demonstrar que a Atlética busca e sempre buscará o fomento do esporte e integração entre os alunos.

Fotos OLHARR – Engenharíadas Mineiro 2017

E falando dos próprios alunos, eles representam um grande desafio. Ora, em Atléticas de cidades da capital, facilmente conseguimos encontrar um contingente de 4, 7, até 10 mil alunos à disposição dos dirigentes, com o processo de captação dos mesmos ocorrendo de maneira geral e, consequentemente, mais “tranquilo”. Ah, já no interior, onde o número de alunos na maioria dos casos é extremamente limitado, todo o processo de captação acaba ocorrendo de maneira individual – quando você tem 300 alunos, cada peça se torna essencial.

E esse ponto chave dos alunos nos apresenta duas facetas. Todas as tarefas se tornam extremamente complicadas, como por exemplo, a formação dos times esportivos: captar pessoas interessadas na modalidade, oferecer treinos com número mínimo de pessoas confirmadas e, por fim, conseguir levar a equipe completa para uma competição externa. Todas estas etapas dependem de uma enorme fidelização dos associados à AA, o que acaba ocorrendo de maneira individual. E esse âmbito individual que se apresenta como um grande benefício à Atlética do interior: nós conhecemos nossos membros.

Conhecemos cada um individualmente, sabemos das preferências, reclamações e desejos em relação à Atlética, possibilitando que a representatividade dele em relação à AA seja máxima. Além disso, as conquistas individuais possuem um outro sabor quando se lida com situações tão limitadas: cada pessoa confirmada no treino, cada evolução de uma equipe, cada pessoa que se interessa pelo universo das Atléticas, significa uma vitória e é celebrada como tal.

Jogos Jurídicos Paranaense 2018

Outro desafio para a Atlética é a captação financeira. Ora, estudantes de Universidades que se localizam fora da capital, estão acostumados a possuir um custo de vida mais baixo, o que se reflete diretamente na questão “o quanto você está disposto a gastar com sua Atlética?”. Seja na venda de produtos ou na produção de uma festa, a diretoria deve estar sempre atenta ao perfil de gastos de seus estudantes. O que significa que a Atlética deve possuir um planejamento financeiro extremamente bem feito, visto que, pelo seu contingente de alunos e o perfil dos mesmos, não consegue vender inúmeros produtos, nem embutir uma margem de lucro respeitável nos mesmos.

E isso se traduz em uma visão diferente a respeito dos produtos, por exemplo. Dado às limitações supracitadas, um produto deixa de se tornar fonte de lucro e captação financeira, para se tornar a representação de uma ideia e trabalho – o fato de muitas Atléticas subsidiarem parte dos produtos vendidos, representa bem esta ideia. Nada gera mais orgulho e certeza de um trabalho bem feito, do que ver, ao caminhar na Universidade, pessoas portando as cores e símbolos de sua Atlética.

No âmbito de estrutura esportiva, temos o grande desafio de uma Atlética do interior. Na maioria das vezes, a Universidade não conta com uma estrutura adequada, bem como a própria cidade também não oferece. Isso significa que os atletas acabam treinando em condições não desejáveis e a dificuldade de obtenção de local de treino pode, inclusive, atrapalhar o planejamento esportivo. E isso, mais uma vez, nos oferece dois pontos.

É óbvio que o desejo de todas as Atléticas é poder oferecer uma estrutura de ponta para seus atletas, garantindo que o treinamento seja o mais proveitoso possível. Mas, mesmo com toda a movimentação da diretoria, em muitos casos, isso é impossível. E, apesar deste fato significar uma grande dor de cabeça para dirigentes e treinadores, demonstra a vontade de vencer dos atletas. Ora, treinar em condições péssimas, em horários ruins, eleva a representatividade presente naquele ambiente, onde cada aluno dedica tempo, amor e raça para colocar a Atlética no topo.

Engenharíadas Paranaense 2018

Este âmbito de amor, entrega e raça acima de tudo, representa bem o espírito de fazer parte de uma Atlética do interior. Sabemos que ser de uma AA significa trabalho, mas tudo nosso possui um sabor diferente. É indescritível levar 50% do número de alunos do seu curso para uma competição externa, ver seu amigo honrando o manto de sua Atlética nas quadras e conhecer cada pessoa que caminha ao seu lado. O maior prêmio de uma Atlética que enfrenta todas estas peculiaridades em seu caminho, é ver um novo atleta presente nos treinos, um novo ritmista que se aventura nos instrumentos e um novo cheerleader que almeja voos cada vez mais altos. É ver, em meio a todos os problemas e possibilidades de desistir, uma chance de colocar o nome da sua Atlética na história. Atlética do interior é resistência.

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