Reunião de Planejamento XI (3)

Sou a primeira presidente mulher da Atlética XI de Setembro UEM. Desde caloura, sempre achei muito incrível esse mundo de atléticas e baterias, mas nunca achei que chegaria onde estou. Entrei na faculdade em 2012 e, durante meus primeiros anos, eu fui apenas uma espectadora. Sempre frequentei os eventos que a XI organizava e sempre tentava participar de tudo que envolvia a XI.

Em 2013, entrei para a bateria Badelírio e foi amor à primeira vista. Em 2014 tive a oportunidade de entrar para a diretoria da XI e ver como tudo funcionava por trás daquilo que eu só conhecia por fora. Em 2015 resolvi assumir mais responsabilidades e me tornei Tesoureira da XI, e por lá fiquei por dois anos. Não consigo mensurar o tanto de coisas boas que eu vivi. Reuniões, jogos, festas, mais reuniões, noites sem dormir e assim vai. Conheci muita gente incrível e vivi muitas experiências maravilhosas.

No finalzinho de 2016, quando a possibilidade de assumir o cargo de presidente começou a surgir, confesso que fiquei bem assustada. Vivendo nesse meio há quase cinco anos, eu vi e ouvi muita coisa à respeito das mulheres que eu preferia não ter ouvido e muito menos visto. Existem sim pessoas machistas e preconceituosas, tanto homens, quanto mulheres e, antes mesmo do dia da eleição, quando algumas pessoas brincando já até me chamavam de “Presida”, a única coisa que eu pensava era: “Eu não vou dar conta! Além de todas as responsabilidades, eu sou mulher. Vou ter que lidar com tanta gente e nem todo mundo vai respeitar o fato de uma mulher ser presidente. E se eu sofrer algum tipo de preconceito? E se me desrespeitarem pelo simples fato de eu ser mulher?”. Esse e muitos outros pensamentos passaram pela minha cabeça durante muitos dias. Conversei com várias pessoas, perguntei opiniões e pedi conselhos até para os meus pais, e depois da eleição, quando já estava tudo definido e o cargo de fato era meu, eu fiquei feliz por não ter desistido! Faço parte de uma diretoria em que a maioria são homens, mas isso não diminui a grandeza das mulheres que compõem a diretoria da XI!

Sei que existem muitas pessoas que não acreditam, que acham que uma presidente mulher não tem força, não tem voz, não sabe liderar, não sabe tomar decisões difíceis, mas ainda bem que eu não deixei que isso me impedisse de fazer uma das coisas que eu mais amo fazer.  É incrível ver que têm muitas pessoas que confiam em mim e que acreditam que mulheres têm força, têm visão, sabem sim tomar decisões difíceis, são organizadas e sabem liderar tão bem quanto qualquer outra pessoa de qualquer outro sexo. Fico muito feliz que as mulheres estão perdendo o medo, que estão quebrando tabus, conceitos e preconceitos, assumindo cargos e mostrando que nós podemos e devemos ter voz. Não vou falar que é algo fácil, mas acredito que se não começarmos a mostrar nossa força agora, vamos perder várias oportunidades de conquistar espaços que atualmente são considerados espaços “para homens”.

Hoje, algo que me deixa muito orgulhosa é ver a quantidade de atléticas que têm mulheres como presidentes. Aqui em Maringá temos alguns exemplos dentro da Liga das Atléticas. Na UniCesumar, a Atlética X de Junho, dos cursos das Engenharias e Arquitetura, e na UEM, a Atlética de Biológicas, dos cursos de Biológicas (o próprio nome já diz kkkkkkkk), a Atlética FOd, dos cursos de Farmácia e Odontologia e a Atlética XX de Agosto, do curso de Psicologia. E ainda bem que não é só aqui em Maringá que temos tantas “PresidAs”. Lá em São Paulo, na Liga do Economíadas Caipira, temos outros exemplos, como na Atlética X de Outubro, dos cursos de Gestão, Administração e Administração Pública da UNICAMP – Limeira, na Atlética XV de Julho, do curso de Economia da UNICAMP, na Atlética XV de Setembro, dos cursos de Administração, Economia, Contabilidade e Secretariado Executivo da UEL e na Atlética FEA USP da USP – Ribeirão Preto. E é com mais orgulho ainda que eu compartilho com vocês um pouquinho do que algumas dessas “PresidAs” têm a dizer.

Bárbara - FEA USP RP

“Meu nome é Barbara, tenho 22 anos e estou no quarto ano do curso de Administração da FEA USP-RP. Entrei na Atlética em 2014 e, no ano seguinte, assumi o cargo de Diretora geral de esportes. Logo de cara já percebi que era um meio em que havia muito mais homens do que mulheres. Alguns até falaram: “Vocês vão colocar ela para cuidar dos esportes da faculdade?” Muitas pessoas ficaram com o pé atrás por consideram um meio mais agressivo, que havia muitas discussões em jogos e que precisaria ser uma pessoa de pulso firme. Mas eu provei para todos que duvidaram que o ambiente esportivo também é lugar de mulher. Dentro e fora de quadra. No ano de 2016, criamos uma comissão de mulheres na nossa atlética (Chama “as mina”), que tem por objetivo proteger as mulheres contra todos os tipos de assédios, principalmente em festas e jogos universitários. Hoje, como presidente de uma das maiores atléticas do campus da USP Ribeirão Preto, tenho muito orgulho de representar tantos alunos sendo quem eu sou. E ficou mais feliz ainda de ver que temos muito mais mulheres envolvidas nesse meio atualmente. Cada dia é um desafio diferente mas que enfrento sempre de cabeça erguida. Atlética resume praticamente minha vida inteira dentro da faculdade. É uma experiência que jamais esquecerei e aproveito cada dia como se fosse o último.”

XV de julho

“Meu nome é Maria e sou a atual presidente da A.A.A XV de Julho, Atlética da Economia da UNICAMP, a qual representa os alunos de graduação e pós da Economia. O curso possui quantidade relativamente equilibrada entre homens e mulheres, assim como dentro da nossa gestão temos o mesmo número de homens e mulheres, sendo os cargos de diretoria ocupados por uma maioria feminina. É comum a nossa Atlética possuir presidentes mulheres – antes de mim vieram três presidentes homens, e antes deles três mulheres, como exemplo. Entretanto, quando assumi o cargo, todas as meninas que falaram comigo disseram que preferem uma presidente mulher do que um homem, pois isso aproxima a Atlética da realidade feminina e também contribui para suavizar o estereótipo de “entidade machista” que é de tradição do cenário atleticano. Da mesma forma que as mulheres preferem uma figura feminina nesse cargo, num ambiente externo ao instituto, como em reunião de Liga de Jogos Universitários ou dentro da faculdade, ser mulher é mais um impasse do que uma vantagem, pois são ambientes majoritariamente masculinos ainda – se não for em quantidade, será em relação ao “peso da voz”. Nesses ambientes, raramente mulheres ocupam altos cargos e tem sua opinião levada em conta da mesma forma que a de um homem, independentemente de sua experiência. Com isso, como presidente, procuro fazer o melhor possível para minha entidade, mas sei das minhas limitações – deixo grande parte da socialização entre as demais atléticas com os representantes homens da minha delegação, pois sei da facilidade e da preferência dos representantes das demais atléticas conversarem com outros homens, infelizmente.”

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“Me chamo Talitha e sou presidente da Atlética XV de Setembro, da Uel. Estou no meu quarto ano de Atlética e posso afirmar que foi uma das melhores coisas que fiz na minha vida, o tanto que pude crescer e aprender com as situações em que passei, é algo inexplicável, nenhuma aula da faculdade conseguiu aprimorar meu desenvolvimento pessoal e profissional no mesmo nível em que a atlética conseguiu. Hoje eu considero a XV de Setembro como minha segunda família e creio que minha vida universitária seria muito sem graça sem ela. O que está acontecendo no cenário atual, é que as mulheres passaram a disputar com os homens em pé de igualdade. Estar em uma posição de liderança dentro de uma associação que representa a Universidade Estadual de Londrina é um dos meus maiores orgulhos. Poder gerir e liderar minha equipe para um melhor desenvolvimento da associação sem o “preconceito” inicial por ser mulher é algo gratificante, sendo algo que uns anos atrás não era respeitável. As mulheres estão se apoderando de níveis hierárquicos cada vez maiores, mostrando que gênero não define capacidade, afinal, todos nós temos características que podem ser consideradas como pontos fracos, mas também temos outras que são pontos fortes, o essencial é mantermos o equilíbrio no ambiente de trabalho.”

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“Me chamo Beatriz e sou presidente da Atlética X de Outubro. É incrível ver como as mulheres ganharam espaço dentro das organizações estudantis, trazendo à tona, também o debate de diversos assuntos importantíssimos para o meio universitário, como o machismo, a lgbtfobia e o racismo. Além disso, somos vistas como figuras representativas por meninas dos nossos campi, trazendo suas opiniões para as reuniões. Começando na faculdade, construímos uma igualdade que será levada ao âmbito profissional. Fico muito feliz por poder compartilhar experiências com outras meninas da Liga Economíadas Caipira, porque é uma oportunidade de crescermos juntas!”.

E aí, você também faz parte de uma diretoria e é mulher? Conta pra gente sua experiência!

amanda lobo

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