Foto: Turistada

Já tivemos aqui no Integraê posts sobre mulheres nas diretorias das atléticas e sobre a importância do esporte feminino no meio universitário e hoje, no Dia Internacional da Mulher, venho falar sobre a presença feminina e as mulheres que vêm comandando as bancadas e as diretorias de torcida e bateria de algumas AAs.

Ser mulher não é fácil e fica mais desafiador ainda quando decidimos entrar em um mundo onde antes era dito que era coisa de homens, mas acho que já podemos mostrar que não é mais assim que a banda toca!

Muitas torcidas e baterias universitárias, que vêm tomando espaço e levando troféus nos jogos, têm mulheres em frente como diretoras, coordenadoras, chefes e ritmistas e posso dizer com certeza que a bancada fica ainda mais interessante, bonita, ousada e diferente!

Foto: Turistada

“Ser mulher e estar a frente da Turistada é uma das melhores sensações porque me sinto a vontade e sou respeitada, assim como cada uma que está na bancada e o mais importante do que ter uma maior presença feminina na torcida é que essas mulheres sejam representadas e com a gente isso acontece. A Turistada é um projeto com um ideal inclusivo, diferente do que se via e ainda se vê em outras torcidas universitárias. De 2016.1 pra cá são 5 títulos de Melhor Torcida em 6 participações em jogos. A Turistada foi pensada para a Turistada, não tentamos ser ninguém além de nós!”, conta Caroline Almeida, integrante da Turistada, torcida da Associação Atlética Turismo e Hotelaria UFF.

Ter uma Atlética e uma torcida inclusivas faz total diferença até para os alunos do(s) próprio(s) curso(s), pois fica cada vez mais claro que as pessoas buscam lugares e projetos onde se sintam bem-vindos e representados. Onde há um pensamento coletivo e inclusivo, os alunos dos cursos vão se sentir mais a vontade pra participar de treinos, jogos, bateria, torcida ou até mesmo se candidatar pra ser um membro da Atlética!

Foto: AACS

“A minha torcida é engajada em causas sociais e tem campanhas especialmente de apoio às mulheres, isso faz com que seja um ambiente mais hospitaleiro para nós. A gente se sente tão importante quanto os homens que estão ali e claro, é emocionante ver as mulheres gritando e pulando sem pudor, sem medo da compostura, focando apenas no esporte e na emoção de estar li. Na torcida o sentimento de estar entre amigos, representando uma faculdade que todos amamos é o que me move mesmo quando não tenho mais força!”, conta Bárbara Leal, Cheerleading da Atlética de Artes e Comunicação da UFF.

Foto: Farmácia UFRJ

Mudanças são essenciais e perceber que sua atlética e torcida precisam delas já é um passo pro caminho da inclusão. Muitos campeonatos já não aceitam mais músicas, gestos, palavras e atitudes cheias de machismo e preconceito. Posso tirar como exemplo a vivência que eu tenho com a Turistada, participamos de um campeonato todo primeiro semestre, o Humaníadas, onde algumas músicas ainda cantadas por outras atléticas e jogos, são proibidas e se forem cantadas, acarretam em perda de pontos para o prêmio de melhor torcida e dependendo da gravidade, perde na pontuação do geral também.

Acho que essa atitude poderia ser pensada por muitas Ligas e empresas, rixa dentro de quadra e na bancada é comum, machismo e preconceitos não!

Nossa torcida era conhecida por ser ofensiva, pois há um tempo atrás as músicas eram muito ofensivas e tinham muitos xingamentos. A partir do momento que entrei pra torcida, cortei tudo isso e tento criar músicas que enaltecem os jogadores e nosso curso, porque no final é isso que importa!“, comenta Laura Merat, diretora de torcida da Atlética de Farmácia da UFRJ.

Foto: Comunicação UVA Tijuca

Eu mesma, antes mesmo de entrar pra atlética, confesso que não achava motivador, até uma amiga vir e dizer “Se você acha que algo precisa ser mudado, vai lá é muda!” e foi assim que entrei pra atlética no meu 2° período na faculdade e fiquei por dois anos e meio e junto com a diretoria que eu estive, tentei fazer com que outras pessoas se sentissem motivadas a estar com a gente, se sentissem representadas e acolhidas.

O uso do marketing e das redes sociais, que foram minha área na atlética, de alguma maneira não pode apenas conter conteúdo da Atlética, há maneiras de abordar muitos assuntos sociais, como o lugar da mulher no meio do esporte universitário, sem perder o foco na sua atlética. Uma dica também é comentar sobre em seus Atlética Day/Dia da Atlética.

“Eu entrei pra torcida logo no meu primeiro período da faculdade, hoje já no 5º posso dizer que foi uma das melhores decisões da minha vida. Estar ali, ver tudo acontecendo e saber que faço parte e que nós mulheres somos um fator para aquela festa estar daquela forma, é incrível. Um amor que não se mede, um orgulho que não cabe no peito. O que mais prende ali é quando paro e ouço todo mundo vibrando, se emocionando ao cantar nossas músicas nas arquibancadas. Ver os times olhando pra nós e recebendo toda essa energia, é absurdo. Bato no peito e defendo minha cores, minha Atlética. Somos um só, uma família e isso me motiva”, conta Juliana Figueiredo, da Associação Atlética de Comunicação e Artes UVA Tijuca.

Foto: Relações Internacionais UFRJ

E sobre limites ultrapassados, elas contam também! Se liguem:

“Todo campeonato universitário vem sempre carregado da cultura patriarcal machista na qual vivemos, então fica difícil não ter visto nenhuma ofensa ou coisa do tipo aplicada nos campos. Mas, por nosso mérito, nós estamos exigindo cada vez mais repúdio a essas ações e, também, ambientes cada vez mais bloqueados desse tipo de ação”, conta Ana Julia, da diretoria de torcida da Associação Atlética Acadêmica Relações Internacionais da UFRJ.

“Atualmente acho a relação com outras torcidas até tranquilas, pelo menos no JUCS, nossa principal competição. Mas sei que até poucos anos atrás o ambiente era bem mais hostil, amigas próximas e que frequentaram edições anteriores já enfrentaram constrangimento, como chamarem de puta, por exemplo. Nas competições que envolvem outros cursos que não são do JUCS o clima é mais tenso, os homens são mais invasivos e a torcida como um todo é mais violenta. Lembro de um jogo contra uma Atlética da UERJ em Rio das Ostras, 2016, depois da apresentação do intervalo, nós do time de cheerleading tivemos que passar pela arquibancada rival para chegar a nossa, e então fecharam a passagem, nos deixando encurraladas e jogaram bebida na nossa cara”, conta Bárbara Leal, cheerleading da Atlética de Artes e Comunicação da UFF

Foto: Turistada UFF, UniversiCopa 2018

Nós mulheres queremos o direito de nos sentir seguras em fazer o que amamos, seja em quadra, na bancada ou na diretoria. Se você é mulher e não se sente bem próxima a atlética do seu curso, porque não conversar com mulheres próximas a você e tentarem mudar isso? Uma atlética não é pra representar apenas um grupo e sim tentar incluir todas e todos! Faça da sua voz uma porta para essa mudança e vocês, membros de atlética, ouçam quem vocês estão se propondo a representar, que são as alunas e os alunos do seu curso.

E você? Vive em uma Atlética onde a presença feminina é grande ou ainda está tentando se achar? Comentaê, vamos compartilhar experiências! 🙂

Quer saber mais sobre o tema? Bora lá:

Mulheres que fizeram a diferença na UEPG

Mulheres que fizeram a diferença na diretoria de esportes!

A importância da valorização de modalidades femininas na Atlética

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